Jovem no interior de São Paulo é acusado de matar padrasto, irmã e avó para receber herança

O caso foi esclarecido pela DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Sorocaba (99 km de São Paulo), nesta quinta-feira (17). Yuri André de Souza Barizon teria recebido a ajuda do primo Maicon Miranda Milani, 23, com quem dividiria os bens. Os dois já foram levados para o Centro de Detenção Provisória da cidade.

A polícia desvendou a trama depois que três pessoas da família de Yuri foram mortas. O padrasto de Yuri, Daniel Liscoskuy, 56, e a irmã do rapaz, Raíra Cecília de Souza Milani Barizon, 14, foram mortos a tiros em 14 de outubro em uma chácara da família, em Araçoiaba da Serra (113 km de São Paulo). A mãe e outra irmã do jovem ficaram feridas no atentado. Ele, o primo e um amigo, Leandro Pires da Costa, 22, foram presos três dias depois.

No crime da chácara, Maicon e Leandro entraram na casa à noite e atiraram nas vítimas, disse o delegado da DIG, Acácio Aparecido Leite. Yuri teria esperado do lado de fora. Ele disse à polícia que vinha sendo ameaçado por um homem que tentava extorqui-lo. “Na época eles disseram apenas que era para dar um susto na família, mas que o plano acabou com a morte de duas pessoas.”

Depois disso, os policiais desconfiaram da causa da morte da avó de Yuri, Maria Cecília Milano de Barros, 83. De acordo com a família, ela teria sofrido uma queda acidental no dia 31 de outubro e morreu no hospital dez dias depois. “O fato é que ela teve um traumatismo craniano, com perda de massa encefálica, o que seria incompatível com uma simples queda”, afirmou o delegado.

Golpe na cabeça

Os dois jovens voltaram a ser interrogados e confessaram o plano. Eles pretendiam matar toda a família para ficar com a herança do pai de Yuri, morto há três anos de causas naturais. No primeiro crime, o rapaz abriu a casa da avó e deixou um machado de ferro em um local combinado com o primo, que chegou mais tarde e golpeou a avó na cabeça. A arma do crime pesa três quilos.

“A própria mãe desconfiou da morte da idosa depois que o filho foi apontado como suspeito do crime contra o marido dela”, afirma Leite. “Com essas informações, os dois confessaram mais esse crime”, acrescenta.

A investigação descobriu que Yuri roubou cerca de R$ 6.000 da avó antes de mandar matá-la. Ele via a família como empecilho para usufruir dos bens deixados pelo pai. O delegado acredita que os primos podem receber uma pena centenária depois do julgamento.

Eles serão acusados por três homicídios qualificados e duas tentativas de homicídio. “Provavelmente eles serão levados a júri popular. Cada homicídio pode ter pena de até 30 anos, além dos qualificadores, que aumentam esse tempo”, disse Leite.

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